loader image

80% Endividados: O pesado preço de viver no Brasil

A escalada do custo de vida no Brasil tem corroído o orçamento familiar, empurrando milhões de brasileiros a um limite financeiro perigoso. Uma pergunta angustiante ecoa em muitas casas: o que fazer quando não há dinheiro suficiente para uma moradia digna, para suprir a dispensa vazia, quitar contas de serviços essenciais ou quando a doença bate à porta? A resposta, muitas vezes, é recorrer a dívidas que se acumulam e nos consomem de forma avassaladora.

Uma pesquisa recente de endividamento e inadimplência do consumidor, realizada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) apontou que 80% das famílias brasileiras está endividada, com um número crescente em situação de inadimplência, incluindo cartões de crédito, cheque especial e carnês.

As dívidas estão corroendo não apenas nossas finanças, mas também nossa dignidade e tranquilidade. A constante preocupação com o dinheiro, a dificuldade em prover o básico e a falta de perspectiva gera atritos, frustrações e ressentimentos, que minam a base do convívio familiar. Esse estresse financeiro também é um gatilho potente para diversas condições de saúde mental, tendo em vista que a incerteza do amanhã, o medo de não conseguir pagar as contas e a sensação de impotência sobrecarregam o psiquismo, levando a um aumento preocupante de casos de ansiedade, depressão e outros transtornos. Em seu ponto mais extremo, a pressão financeira pode levar indivíduos a considerar o suicídio como uma saída para a dor insuportável, já que a perda da dignidade e a sensação de ser um fardo para a família são fatores de risco graves.

O Brasil, é considerado um dos países com maiores taxas de adoecimento mental. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e pesquisas nacionais da Fiocruz e da USP mostram que a insegurança financeira é um dos fatores de risco mais significativos. A preocupação constante com as finanças pode levar à insônia, irritabilidade, fadiga e perda de interesse em atividades antes prazerosas.

O esforço excessivo para concilia múltiplos trabalhos, muitas vezes informais e precários, na tentativa de fechar o orçamento, também eleva os casos de síndrome de Burnout, o esgotamento extremo causado pelo trabalho. Grupos como mães solo, aposentados e famílias que enfrentam doenças crônicas sentem o impacto com mais intensidade. Para mães solo, a dupla jornada e os altos custos de alimentação, creche e moradia transformam o dia a dianuma batalha. Muitas mulheres recorrem a bicos, abandonam seus trabalhos em busca de uma soluçãoempreendedora que garanta mais flexibilidade e se sentem esgotadas, pela sensação de impotência e necessidade de cortes drásticos em lazer ou educação complementar dos filhos.  Já os aposentados, com rendas fixas frequentemente defasadas, veem nos gastos com saúde e medicamentos a maior fatia de seus orçamentos. A escolha entre comprar remédios e garantir uma alimentação adequada se torna uma dolorosa realidade, que se torna ainda mais dura quando há a necessidade de custear cuidadores ou profissionais da saúde para garantir mais qualidade de vida diante de uma situação limitante. Pacientes com doenças crônicas enfrentam o fardo dos tratamentos contínuos. Medicamentos caros, transporte para consultas e dietas especiais drenam os recursos, levando muitos ao endividamento e à interrupção de cuidados essenciais.

A busca por empréstimos informais, o apoio de redes familiares e comunitárias, a redução do consumismo são estratégias que aliviam o peso do alto custo de vida momentaneamente. Diante do atual cenário, é imperativo que o debate sobre o custo de vida vá além dos índices econômicos. Ele precisa abordar o sofrimento humano, a desagregação familiar e o adoecimento coletivo. Medidas de proteção social robustas, acesso facilitado à saúde mental e programas de educação financeira são cruciais para mitigar os efeitos devastadores dessa crise reconstruir a esperança e a dignidade de milhões de brasileiros.

Me solidarizo com cada pessoa que, como eu, se cansa de pagar impostos sem ver o retorno adequado, luta diariamente para trazer provisão para o lar e que mesmo diante de dificuldades financeiras e cansaço, se levanta para ajudar quem mais precisa. As eleições se aproximam e deixo um alerta: É hora do brasileiro parar de endeusar políticos e escolher pessoas que realmente tenham vontade de melhorar o país.

Juliana Jaber

Juliana Jaber é palestrante motivacional, gestora de pessoas, analista de tecnologia da informação, escritora, artesã e ativista da saúde. Foi vice-prefeita de Bom Despacho (2021-2024). É fundadora da ONG Metástase do Amor (2015). Acompanhe @jujaber pelas redes sociais e conheça mais sobre sua história no site www.julianajaber.com

Mais recentes

Rolar para cima