Filhos e filhas,
No final de agosto, celebramos Santa Mônica e Santo Agostinho, mãe e filho que têm muito a nos ensinar sobre a força da oração, a perseverança e a conversão.
Santa Mônica passou muitos anos rezando pela conversão de Agostinho. E suas orações não foram em vão. Agostinho tornou-se bispo, doutor da Igreja e um dos grandes santos da história do cristianismo.
Em uma de suas obras, Santo Agostinho escreveu sobre sua mãe: “Ela me gerou seja na sua carne para que eu viesse à luz do tempo, seja com o seu coração para que eu nascesse à luz da eternidade.” Que frase profunda! Nela encontramos também a missão de cada pai e de cada mãe: gerar os filhos não apenas para esta vida, mas também para a graça, para a fé e para a eternidade.
O Catecismo da Igreja Católica nos ensina: “O papel dos pais na educação dos filhos é tão importante que é quase impossível substituí-los” (CIC 2221). E São João Paulo II, na Exortação Apostólica Familiaris Consortio, afirma: “O direito e o dever de educação são primordiais e inalienáveis para os pais” (FC 36).
Santa Mônica viveu isso de maneira extraordinária. Ela não se preocupava apenas com o bem-estar terreno de sua família. Sua maior preocupação era a salvação de seus filhos e de seu esposo. Por isso, rezou incansavelmente pela conversão de seu marido e, principalmente, de Agostinho, que durante parte da juventude viveu distante de Deus, envolvido em erros, vícios e uma vida que muito preocupava sua mãe.
E aqui está uma das grandes lições de Santa Mônica: não desistir daqueles que amamos. Mesmo quando não enxergava uma mudança no horizonte, ela continuava rezando. Continuava suplicando. Continuava confiando. Em determinado momento, um bispo procurou consolá-la dizendo que continuasse a rezar, pois era impossível que se perdesse um filho de tantas lágrimas. Que esperança para tantos pais e mães que hoje choram e rezam pelos seus filhos!
Talvez você esteja vivendo exatamente essa situação. Talvez tenha um filho que se afastou da Igreja, da fé, da família ou dos bons caminhos. Talvez você já tenha rezado tantas vezes que parece não haver mais esperança. Não desista de rezar.
Santa Mônica nos ensina que a oração perseverante é uma expressão de amor e confiança em Deus. Não sabemos quando nem como Deus vai agir, mas sabemos que Ele ama nossos filhos ainda mais do que nós mesmos. E Santa Mônica viu sua oração ser atendida.
Nos últimos momentos de sua vida, ao lado de Agostinho, ela pôde dizer que nada mais a prendia a esta vida. A única coisa que desejava era vê-lo católico, e Deus havia concedido muito mais do que ela esperava: seu filho havia encontrado a fé e decidido servir ao Senhor. Ela então fez um último pedido: que se lembrassem dela no altar do Senhor.
Que belo testemunho! Santa Mônica nos ensina a nunca desistir da conversão daqueles que amamos. Mas Santo Agostinho nos ensina algo igualmente importante: nunca devemos desistir da nossa própria conversão.
Quando olhamos para sua história, percebemos que a santidade não é privilégio de quem teve uma vida perfeita. Agostinho teve um passado do qual não se orgulhava. Cometeu erros, tomou decisões equivocadas e passou por caminhos distantes de Deus. E talvez muitos de nós também carreguemos um passado que gostaríamos de apagar.
Ouço muitas partilhas de pessoas que permanecem presas a um erro que cometeram. Não conseguem viver plenamente o presente e nem conseguem imaginar um futuro diferente. Às vezes, transformam o próprio passado em uma sentença: “Eu sou assim e vou morrer assim.” Mas isso não é verdade! O seu passado pode explicar algumas coisas da sua história, mas não precisa determinar o seu futuro.
Quando lemos as Confissões de Santo Agostinho, percebemos justamente isso. Ele fez um profundo exame de consciência, reconheceu seus erros, permitiu-se ser alcançado pela graça e mudou de vida. Hoje nós olhamos para Agostinho e enxergamos um santo, um doutor da Igreja. Mas não podemos esquecer quem ele foi antes de se decidir a mudar.
E essa é uma grande esperança para todos nós: nunca é tarde demais para recomeçar. A história de Santo Agostinho nos mostra que a misericórdia de Deus é maior do que os nossos erros. Deus não olha apenas para aquilo que fomos. Ele também olha para aquilo que podemos nos tornar quando nos abrimos à sua graça.
Por isso, filhos e filhas, não desistam da conversão de ninguém e não desistam da própria conversão. Se existe alguém por quem você precisa rezar, reze. Se existe alguém que precisa do seu perdão, perdoe. Se existe algo em sua própria vida que precisa mudar, não adie. E se existe um passado que ainda pesa sobre você, coloque-o nas mãos da Misericórdia Divina.
Que Santa Mônica nos ensine a perseverar na oração e Santo Agostinho nos ensine a ter coragem para mudar.
Que Deus nos dê a graça de reconhecer nossos pecados, de confiar em sua misericórdia e de permitir que sua graça faça nascer em nós uma vida nova.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
