O Dia Internacional da Mulher é uma data que carrego no coração, não apenas como um lembrete das lutas passadas e por vir, mas como um tributo também às nossas conquistas. Cada mulher que se destaca em sua profissão, que defende uma causa social, que rompe barreiras e desmantela preconceitos, é um reflexo de todas nós, e isso me emociona profundamente, porque me vem à memória quantas de nós sacrificaram suas vidas abrindo caminho para termos direito a estudar, trabalhar, votar, enfim, tomarmos nossas próprias decisões.
Nossos desafios não cessam e precisamos lutar pela igualdade salarial, pela ocupação de espaços na política e em cargos de liderança. Ao mesmo tempo, enfrentamos a difícil tarefa de equilibrar carreira e maternidade, muitas vezes com a sensação de que estamos fazendo mal em alguma das frentes. O peso é imenso, e a sociedade ainda não nos oferece as condições ideais para que possamos florescer plenamente.
No Brasil, os índices de desigualdade de gênero ainda são alarmantes. As mulheres ganham, em média, menos que os homens para desempenhar as mesmas atividades, e essa disparidade se reflete em diversos aspectos da vida. A sensação é que mesmo sendo capacitadas, necessitamos provar repetidamente que estamos aptas para exercer as funções que escolhemos. Em Minas Gerais, os dados sobre violência contra a mulher são preocupantes. É assustador saber que muitas de nós, inclusive em nossas famílias e círculo de amizade, enfrentam situações de abuso físico e emocional. Em Bom Despacho, as mudanças são promissoras. Tive a alegria de exercer um mandato como primeira vice-prefeita do município, entre os anos de 2021 e 2024 e agora, tenho a oportunidade de aplaudir a primeira mulher no comando do 7º Batalhão da Polícia Militar, a grande profissional Marianna Atatília, a quem desejo muito sucesso.
Minha voz neste mês tem o objetivo de contar sobre a arte da doação que existe no coração das mulheres, uma das mais belas expressões femininas, mas também é um alerta. Somos cuidadoras por natureza e em meio a essa entrega, frequentemente esquecemos de cuidar de nós mesmas. O adoecimento das mulheres, muitas vezes relacionado às pressões e à exaustão que acumulamos ao longo dos anos, é uma realidade que não podemos ignorar. Precisamos lembrar que, ao cuidar dos outros, também devemos cuidar de nós. No ano de 2022, desenvolvi um projeto chamado Libélulas para incentivar o autocuidado, a saúde mental e o empreendedorismo feminino.
Gosto de comparar a força das mulheres às libélulas, que são símbolo de transformação, resiliência e liberdade. Uma mulher carrega em si uma dualidade de suavidade e robustez. Ela é a mãe que se sacrifica, a companheira fiel, a filha que cuida dos pais, a amiga que escuta, a profissional que se destaca, a sonhadora que nunca desiste. Sua existência é um eco ao universo para trazer paz e se traduz em momentos simples, mas poderosos, como um sorriso que ilumina o dia de outra pessoa, um abraço que acalma uma alma aflita, a coragem de dizer com amor e firmeza o que é necessário para voarmos ou pousarmos. Agradecer por todas as mulheres que nos cercam é um exercício diário que devemos cultivar. Elas são como anjos, muitas vezes invisíveis, mas sempre presentes nos momentos mais difíceis.
Finalizo este texto celebrando com gratidão às libélulas de minha vida… Ana, Teresa, Jacy, Maria das Graças e Vitória, as mulheres que me ensinaram a ser filha e mãe. Sigo transformando vidas!