Poleiro do Chantecler – Coisas da vida
Meus caros, raros e fieis leitores,
Lembram-se que, na minha última crônica, eu contei que, nos anos 90, eu andei dando aulas de Economia para trocentas turmas de Cursinhos Preparatórios para concursos públicos, em Brasília? Era aula de manhã, de noite e nos sábados e domingos de manhã e de tarde. Eu adorava aquelas aulas. Além de me pagarem bem, eu tinha na minha frente salas lotadas de candidatos, com todos os tipos de graduação possível, altamente interessados e concentrados para aprender porque, se aprovados, o salário era excelente – variando já naquela época, de 10 e mais de 20 mil reais. O emprego dos sonhos.
Como eu disse também na crônica anterior, Economia era uma disciplina importante na maioria dos concursos. A matéria era estéril para a maioria dos candidatos, dado que os economistas eram uma minoria na sala de aula. Às vezes, quando eu via que a assunto da aula estava muito pesado e chato, eu procurava relaxar a turma contando uma ou outra piada. Os alunos adoravam. Não foi uma nem duas vezes que algum aluno, vez por outra, pedia alto e bom som: “-Professor, tá na hora de contar uma piadinha!” E a turma ria e apoiava o pedido. E eu contava uma das que constavam de meu saco de reserva de piadas. Era um momento de descontração.
Não raras vezes, algum aluno mais extrovertido, soltava uma piadinha sobre o assunto que eu estava ensinando e todos riam. Até eu. Agora vem a cena que eu queria lhes contar:
Eu sempre passava para os alunos listas de exercícios de múltipla escolha, no mesmo modelo que apareceria nas provas. Eles tentavam fazer os exercícios em casa e eu reservava a primeira hora a aula seguinte para tirar as dúvidas das questões. Na hora de discutir as respostas eu sempre brincava com os alunos da seguinte forma: suponha que a resposta de uma questão fosse a letra B. Ao invés de dizer: a resposta é a letra B, de “bode”, eu dizia “B de cabeça”! Se a resposta fosse a letra D, ao invés de dizer “D” de “dado”, eu dizia: a resposta é “D” de caDela”! No início, os alunos estranhavam o que eu dizia. Depois de certo tempo, todos se acostumavam e passavam a adotar meu modo de dar a resposta. Assim, por exemplo, se a resposta de uma questão fosse a letra E e eu perguntava: -Qual é a resposta? Sempre havia alguns que diziam, por exemplo: “E” de xarope”; ou “E” de biciclEta!”. E aquilo era divertido. E veja a resposta que um aluno certa vez deu para uma questão cuja resposta era a letra “C”: em alto e bom som ele gritou: “letra “C” de ânus”!
A gargalhada foi geral. E o salário ohhhh!
Chantecler.