Filhos e filhas,
No dia 29 de julho, a Igreja Católica celebra a memória litúrgica dos Santos Marta, Maria e Lázaro, os irmãos de Betânia e amigos íntimos de Jesus. Em 2021, o Vaticano unificou a celebração dos três santos, destacando o testemunho dessa família que acolhia o Senhor em sua casa e vivia uma profunda amizade com Ele. Betânia tornou-se um lugar de descanso, escuta e comunhão, revelando que toda família pode ser um espaço privilegiado para a presença de Cristo.
A amizade autêntica é um dom de Deus. Ela não se mede pela quantidade de mensagens trocadas, mas pela capacidade de permanecer presente nos momentos de alegria e, principalmente, nas horas de dor.
O Evangelho nos apresenta uma das amizades mais bonitas da Sagrada Escritura: a amizade entre Jesus, Marta, Maria e Lázaro. A casa de Betânia era um lugar onde o Senhor encontrava acolhida, descanso e afeto. Jesus não era apenas um visitante. Era um amigo da família. Ali, Ele podia ensinar, partilhar a mesa e encontrar corações abertos à sua presença.
Cada um daqueles irmãos nos revela uma dimensão da amizade com Cristo. Marta nos ensina o valor do serviço. Maria nos recorda que a amizade também precisa de escuta, de silêncio e intimidade com Deus. Lázaro nos mostra que o verdadeiro amigo permanece amado por Jesus até mesmo quando atravessa o vale da morte. Não por acaso, diante do túmulo de Lázaro, o Evangelho registra uma das passagens mais comoventes: “Jesus chorou” (Jo 11,35). O Filho de Deus também experimentou a dor da saudade e revelou que a amizade verdadeira participa do sofrimento do outro.
Ao mesmo tempo, essa amizade não termina nas lágrimas. Jesus chama Lázaro para fora do túmulo e manifesta que quem caminha com Ele nunca está destinado à morte definitiva, mas à vida nova. É uma amizade que transforma, fortalece e devolve a esperança.
Quantas amizades hoje precisam ser restauradas! Quantas famílias deixaram que o orgulho ocupasse o lugar do diálogo. Quantos relacionamentos foram enfraquecidos pela pressa, pela indiferença ou pela falta de perdão. A amizade cristã não é construída apenas sobre afinidades. Ela é sustentada pela caridade, pela paciência, pela capacidade de recomeçar e pela decisão diária de querer o bem do outro.
Pergunte-se hoje: minhas amizades me aproximam ou me afastam de Deus? Sou um amigo que acolhe, que escuta, que reza pelos outros e permanece presente quando todos vão embora? Ou apenas procuro pessoas enquanto elas podem me oferecer alguma vantagem?
Peçamos ao Senhor a graça de cultivar amizades semelhantes às de Betânia. Que nossa casa seja um lugar onde Cristo sempre encontre espaço para entrar. Que sejamos como Marta, generosos no servir; como Maria, atentos à voz do Mestre; e como Lázaro, testemunhas vivas do poder restaurador de Deus.
Quando Jesus ocupa o centro de uma amizade, ela deixa de ser apenas uma relação humana e torna-se um caminho de santidade. Afinal, os verdadeiros amigos não apenas caminham juntos nesta vida. Eles ajudam uns aos outros a alcançar o Céu.
Que Deus nos dê a graça de cultivarmos amizades verdadeiras, afinal “Quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro” (Eclo 6,14)
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
