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E SE O BOLSONARO TIVESSE DADO O TAL GOLPE?

Poleiro do Chantecler – O ferrinho do Dentista

Meus caros, raros e fieis leitores,

Sempre que a grande mídia se refere ao vandalismo do 8 de janeiro, ela chama aqueles arruaceiros de golpistas e coisas tais, seguindo a narrativa criada pelo ministro Alexandre de Moraes e que levou à condenação a 14, 17, 19 anos de prisão de centenas de baderneiros que invadiram e quebraram os prédios do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal – estranhamente abertos, desprotegidos e desguarnecidos naquele dia, apesar de todos saberem que a turba acampada defronte o QG do Exército iria descer para a Praça dos 3 Poderes e que tudo poderia acontecer. A muitos até pareceu uma armadilha para os baderneiros. E é essa narrativa de golpe que tem prevalecido na maioria das análises políticas dos jornalistas, reconhecidamente em sua maioria ativistas de esquerda. Esta narrativa que se tornou oficial foi mais longe: associou os eventos de 8 de janeiro diretamente ao ex-presidente Bolsonaro que, ausente do País, teria coordenado e orientado todo o quebra-quebra, narrativamente voltado para a derrubada do governo recém-empossado. Ao fim e ao cabo, o ex-presidente foi processado e condenado a 27 anos por “tentativa de golpe de Estado”.

O escopo dessa crônica não é questionar, agora, esta versão oficial de que os vândalos, liderados pelo ex-presidente, são golpistas e tentaram, sim, derrubar o governo. Ao contrário, o objetivo aqui é fazer um exercício futurista de como estaria o Brasil, hoje, caso o ex-presidente Bolsonaro e seu grupo tivessem realmente tentado dar um golpe e tivessem tido êxito nessa tentativa. Ou seja, estaríamos hoje vivendo sob um governo ditatorial. Nesta hipótese, o que estaria fazendo este governo?

Não é fácil imaginar o que estaria acontecendo conosco. Por isso vou precisar da ajuda de terceiros nesta tarefa. Por sorte, tive acesso outro dia a uma análise política do escritor Flávio Morgenstern em que ele elucubrava uma possível resposta para esta pergunta. Infelizmente, não guardei seu texto e por isso vou reproduzir aqui o que dele me lembro. Segundo aquele escritor, o que se poderia esperar de uma ditadura bolsonariana seria mais ou menos o seguinte (supondo que, como bom ditador, ele teria total controle e domínio sobre o Poder Judiciário):

– Muitas pessoas seriam presas preventivamente… para sempre.

– Ele poderia mandar colocar segredo em praticamente todos os processos jurídicos de natureza política, com pouco ou nenhum acesso aos mesmos pelos acusados.

– Ele poderia se dizer vítima, investigar, julgar e condenar os supostos réus.

– Ele poderia usar a lei para perseguir seus opositores e até colocá-los na cadeia à revelia da lei.

– Ele poderia ditar as regras para as eleições, especialmente para a oposição, ora decretando que esta oposição não pode falar isso ou aquilo ou até multar a oposição por mostrar fatos comprovados contra ele sem a sua anuência prévia.

– Poderia impor censura a qualquer momento, sempre em defesa da “sua democracia”.

– Ele poderia mandar instalar processos contra o Deputado A ou B, e até cassar seus mandatos se insistirem em criticar seu governo.

– Ele poderia determinar à Polícia Federal que desse batidas a qualquer momento na casa, no escritório e na empresa de qualquer cidadão que critique seu governo ou que ofenda uma autoridade num local público, apreendendo para sempre seus computadores, celulares e passaporte.

– Ele poderia bloquear celulares ou desmonetizar qualquer opositor e até proibi-lo de usar redes sociais de qualquer natureza.

– Poderia também mandar colocar tornozeleira eletrônica em suspeitos – este instrumento de origem medieval (se bem que, antigamente, não eram eletrônicas; eram apenas correntes com pesos enormes amarradas aos tornozelos).

– Os juízes seriam, claro, escolhidos por ele dentre aqueles que lhe parecessem mais fieis e submissos para que todos os julgamentos ocorressem dentro do conforme.

Claro que ele poderia fazer mais um punhado de coisas, dependendo das circunstâncias. Afinal, ele era um ditador e só dera o golpe para isso, quer dizer “para por as coisas no seu devido lugar” e “para salvar a democracia”.

Ainda bem que, graças aos grandes defensores e guardiões de nossa democracia, essa ditadura foi evitada e esse pesadelo não aconteceu. Ufa!!!

Chantecler

Mozart Foschete

Poleiro do Chantecler – O ferrinho do dentista.

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