Filhos e filhas,
Dentro da vivência do Mês Vocacional, celebrado em agosto, o quarto domingo é dedicado de modo especial à valorização da vocação e da missão dos leigos e leigas.
Os leigos são protagonistas da evangelização. São homens e mulheres, casados, viúvos ou solteiros, que vivem sua fé nas comunidades, nas pastorais, nos movimentos, nas comunidades de vida e de aliança, levando a presença de Cristo para os mais diversos ambientes da sociedade.
O grande agente da evangelização é o Espírito Santo, mas Ele conta com cada um de nós. Ele precisa do meu “sim” e do seu “sim”. Deus nos chama, mas espera a nossa resposta. Por isso, não podemos compreender a vida cristã apenas como algo que recebemos. Pelo Batismo, também somos enviados.
Precisamos abraçar essa dimensão missionária e estar sempre preparados para testemunhar a nossa fé quando alguém nos perguntar sobre a razão da nossa esperança.
O apóstolo Pedro nos ensina: “Estais sempre prontos a responder pela vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança” (1Pd 3,15). E qual é a razão da nossa esperança? É aquilo em que verdadeiramente acreditamos. É Jesus Cristo. É a certeza de que nossa vida tem um sentido, uma missão e um destino: a comunhão com Deus. É isso que nos leva a ser Igreja. É isso que nos coloca em missão.
A Igreja clama aos seus fiéis: “Ide em missão!” Não podemos permanecer acomodados, de braços cruzados, esperando que alguém faça aquilo que também é responsabilidade nossa. O próprio Jesus nos enviou: “Ide e fazei discípulos meus em todos os povos” (cf. Mt 28,19).
Pelo Batismo, somos chamados a ser sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5,13-16). E o sal não pode perder o sabor. A luz não pode permanecer escondida. Que sentido teria uma luz que ninguém consegue enxergar? Que sentido teria um sal que não transforma o alimento? Da mesma maneira, que sentido teria uma fé que não transforma a nossa vida e não alcança aqueles que estão ao nosso redor?
Se conseguirmos conduzir as pessoas a colocarem sua fé em Jesus Cristo e, consequentemente, a conhecerem e amarem a Igreja, estaremos colaborando para uma verdadeira nova evangelização. Mas é importante lembrar como devemos fazer isso. São Pedro continua: “Fazei-o com suavidade e respeito” (1Pd 3,15). Suavidade, porque Deus é suave. Respeito, porque não podemos impor a fé a ninguém. Mas atenção: respeitar não significa se acovardar.
Em nome de um “pseudo-respeito”, muitas vezes deixamos de evangelizar. Em nome de um “pseudo-respeito”, deixamos de falar de Deus. Em nome de um “pseudo-respeito”, acabamos até escondendo aquilo em que acreditamos.
Não somos chamados a impor, mas somos chamados a testemunhar. Por isso, precisamos sempre buscar mais, almejar mais e ser mais arrojados na fé. Eu costumava dizer que estaria bom se, pelo menos, com a ajuda de Nossa Senhora, eu fosse para o purgatório. Até que um dia levei uma verdadeira lambada de um santo quando li: “Quem deseja o purgatório está pecando gravemente.” Eu pensei: “Eita! Primeira lambada!” Continuei lendo e, mais adiante, veio outra: “Quem deseja o purgatório é que desejou o mínimo.” Precisamos desejar o céu!
O nosso fim último é o céu. É a comunhão eterna com Deus. O purgatório não pode ser o nosso desejo final. Nosso coração deve desejar a plenitude, a eternidade, o encontro definitivo e amoroso com Deus.
E por que estou dizendo tudo isso? Porque o encontro amoroso com Jesus nos conduz à nossa vocação. Quando encontramos verdadeiramente Cristo, somos chamados a aderir a Ele, a servir a Deus e a colocar nossa vida à disposição da missão.
Podemos passar por momentos difíceis. Podemos viver períodos de aridez espiritual, de dúvidas, de cansaço e até de silêncio interior. Mas, se permanecermos firmes em Jesus, se continuarmos acreditando, nada poderá nos fazer desistir.
Filhos e filhas, vocês são sal da terra e luz do mundo. Não escondam a luz que Deus colocou em vocês. Não deixem o sal perder o sabor. O mundo precisa do testemunho de cristãos que não apenas dizem que acreditam, mas que vivem aquilo em que acreditam.
Que o Espírito Santo nos dê coragem para responder ao chamado de Deus e que Nossa Senhora nos ensine a dizer, todos os dias: “Eis-me aqui, Senhor. Envia-me!”
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
