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A PIZZA DO BANCO MASTER JÁ ESTÁ NO FORNO

Meus caros, raros e fieis leitores,

Outro dia um dos meus raros e fieis leitores me abordou num bar reclamando em tom jocoso que eu estava rareando minhas crônicas, especialmente as de caráter político. Respondi-lhe que não era só por preguiça, não. Era também pelo risco político. “-Você sabe – disse-lhe eu – que, estamos vivendo numa “democracia relativa”. E ele prontamente entendeu o que eu quis dizer.

Mas, mesmo sendo assim, há quem não resiste a tantas mazelas políticas e, vez por outra, cria coragem e seja o que Deus quiser. Hoje mesmo apareceu uma dessas mazelas no meu zap. Era um vídeo de uma notícia dada no Jornal BandNews, no dia 05 de junho de 2018, pelo saudoso Ricardo Boechat – lembram-se dele? (Infelizmente, já não se fazem noticiaristas de TV como ele. Hoje, os noticiaristas e comentaristas que temos são quase todos na linha medíocre, tendenciosa e enganosa do Bonner e daqueles da Globo News). Mas voltando ao ótimo Ricardo Boechat, no vídeo ele dizia: “-O ministro Gilmar Mendes concedeu, nos últimos 15 dias, 19 habeas corpus – média de mais de um por dia – todos eles beneficiando envolvidos em alta corrupção e denunciados principalmente pela Lava-Jato e pelo Ministério Público. Aliás, agora mesmo o ministro mandou soltar mais um grande corrupto preso e investigado pela Lava Jato envolvendo lavagem de dinheiro bilionária de cerca de 1,5 bilhão de dólares– o engenheiro agrônomo Antônio Cláudio Albernaz – tudo em conluio com o governo Sérgio Cabral”.

Esse vídeo reavivou em mim o desmantelamento do processo da Lava-Jato de Curitiba (e o do Rio de Janeiro, do Juiz Bretas), ocorrido a partir de 2019, desmantelamento este promovido especialmente pelo Supremo Tribunal Federal. A Lava-Jato foi, sem questionamento, o maior processo anticorrupção já levado a cabo em nosso País. Nunca se viram tantos políticos importantes e grandes empresários sendo presos e fazendo acordos de delação premiada e de devolução de bilhões de reais roubados. Mas, a verdade é que o instituto da “delação premiada” estava indo longe demais e certamente chegaria a membros da mais alta Corte do País. O melhor mesmo era dar um basta nisso. E o pretexto foram os vazamentos de conversas supostamente comprometedoras entre o Juiz Sérgio Mouro e os Procuradores que trabalhavam nas investigações da corrupção, levantando dúvidas sobre a imparcialidade das investigações. Foi o bastante para que o STF – capitaneado pelo ministro libertador-geral da República – Gilmar Mendes – começasse a livrar da cadeia todos os altos corruptos presos pela Lava-Jato, além de anular todos os acordos de leniência para devolução de bilhões de reais aos cofres públicos – de que são exemplos os bilhões da Odebretch e da JBS. Hoje não resta na cadeia nenhum dos 165 condenados em definitivo pela Lava-Jato.

Foi nesse processo que o Lula também foi solto e anuladas as provas contra ele. Logo a seguir, liberaram também o Sérgio Cabral – símbolo maior da corrupção – que havia sido condenado a mais de 400 anos de prisão pelos confessos milhões e milhões de reais de que ele se apropriara enquanto governador do Rio. Na ocasião eu publiquei uma crônica onde eu concluía que a corrupção no Brasil estava caminhando para a perfeição e essa perfeição ocorreria quando todos os grandes corruptos estivessem soltos e o Juiz Sérgio Moro e o Delagnol – o principal procurador da Lava-Jato – estivessem na cadeia.

Até hoje, o Sérgio Moro ainda está solto e é até candidato a governador do Paraná com boas chances de ser eleito. Quanto ao Delagnol, o máximo que conseguiram contra ele foi cassar-lhe o mandato de deputado federal pelo Paraná por firulas administrativas – logo ele, o deputado que obtivera a maior votação daquele Estado.

Mas, os escândalos de corrupção não param. Aliás, só aumentam. A única diferença para com a corrupção de 30 ou 40 anos atrás é que, agora, ela foi institucionalizada pelos governos Lula-Dilma e seu volume cresceu exponencialmente. De milhares de reais antigamente, a sua unidade de medida passou a ser “milhões” e agora já são contados em “bilhões”. Foram 6,2 bilhões de reais no “petrolão”, 6 bilhões de reais dos velhinhos do INSS, 80 bilhões de reais do Banco Master. Sem falar nos bilhões dos Correios e de outras Estatais. Um ponto importante a ser observado como diferença entre a corrupção de ontem e a de hoje é que, por ter se tornado rotineira, a corrupção já não desperta interesse na população e deixou de ser manchete nos jornais e revistas brasileiros.

Todos sabiam que a CPI do Congresso Nacional sobre o roubo dos velhinhos do INSS não iria dar em nada. Ninguém seria preso (a não ser o careca do INSS que será solto logo, logo) e ninguém, absolutamente ninguém, vai devolver um centavo sequer do que roubou. Menos ainda o Lulinha e o Frei Chico – irmão do Lulão.

E agora, vendo o desenrolar do processo do Banco Master, vê-se que, exceto o ministro André Mendonça – relator do processo – ninguém mais, e novamente absolutamente ninguém, quer que esse processo vá pra frente. E não irá. E quem lidera novamente para melar tudo é o nosso eterno libertador-geral – o ministro Gilmar Mendes. Isso ficou evidente para todos naquela sua entrevista para o Roda Viva há duas semanas atrás.

Então ficamos acertados assim: a pizza do banco Master já está pronta pra sair do forno. E este que foi, até agora, o maior escândalo financeiro de nossa história não vai dar em absolutamente nada: ninguém irá preso e nem ninguém devolverá um centavo aos cofres públicos. E tudo isso por uma simples razão: os envolvidos são pessoas da pior espécie, sem nenhum escrúpulo, e que hoje estão mandando no Brasil. Envolve gente de direita, de esquerda, do centro e dos Três Poderes. Como alguém já disse, foi instalada no Brasil uma peste moral generalizada. E pior: com apoio implícito da grande mídia

E, ao final, todos os seus participantes – sejam eles os grandes corruptos, sejam eles os investigadores e julgadores do processo – todos posarão de cidadãos impolutos acima de qualquer suspeita e, mais que isso, ferozes defensores de nossa democracia. Inevitavelmente, a profecia feita há quatro anos atrás está se cumprindo: a corrupção no Brasil está atingido a perfeição.

É estarrecedor!

Chantecler

Mozart Foschete

Poleiro do Chantecler – O ferrinho do dentista.

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