Filhos e filhas,
Nesses dias celebramos a festa litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, a quem, pelas características da aparição, é invocada pelos doentes e enfermos. Foi São João Paulo II, em 1992, que instituiu o dia 11 de fevereiro como o Dia Mundial do Enfermo. E todos os anos, cada Pontífice, envia uma mensagem em referência a data.
Nossa Senhora, com sua veste branca cingida com um modesto cinto azul, nas suas 18 aparições à jovem Bernadete, não fez menção ao fato de que ali seriam realizados milhares de curas, como ocorre até hoje, enfatizando, antes, a necessidade de rezar pela conversão dos pecadores e de orar sempre, por isso invariavelmente trazia o Santo Rosário no braço.
Acredito piamente na ocorrência das aparições e dos pedidos verbalizados por Nossa Senhora a Bernadete naquela gruta, hoje um dos maiores santuários do mundo. Aquilo que a ciência não explica e chamamos de milagre consegue tocar até mesmo os corações mais incrédulos e soberbos. Há mais de um século, um simples olho d’água é a lembrança permanente do que Jesus disse: “Eu sou a água viva, se alguém tiver sede, venha a mim e beba” (Jo 7,37-38).
São João Paulo II em uma de suas peregrinações ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, no Dia do enfermo, disse:
“Desde o dia da aparição a Bernadete, Maria naquele lugar curou dores e doenças, restituindo a muitos dos seus filhos também a saúde do corpo. Contudo, ela realizou prodígios muito mais surpreendentes na alma dos crentes, abrindo o seu coração ao encontro com o seu filho Jesus, resposta verdadeira às expectativas mais profundas do coração humano. O Espírito Santo, que a encobriu com a sua sombra no momento da Encarnação do Verbo, transforma a alma de numerosos doentes que a ela recorrem. Mesmo quando não obtêm o dom da saúde corporal, podem sempre receber outro muito mais importante: a conversão do coração, fonte de paz e de alegria interior. Este dom transforma a sua existência e faz deles apóstolos da cruz de Cristo, estandarte de esperança, mesmo entre as provas mais duras e difíceis”.
A conversão ocorre na ausência de explicação lógica para o milagre recebido, pois contra fatos não há argumentos.
Bem sabemos que nem todos os que vão até a gruta voltarão para casa com o milagre confirmado, mas jamais esqueçamos que não se trata apenas da cura das doenças do corpo, como também de muitos males da alma. São curas que provêm da Mãe, visando à salvação do rebanho de seu Filho Jesus.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
