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O AGENTE SECRETO

Poleiro do Chantecler – O ferrinho do dentista

Meus caros, raros e fieis leitores,

Assisti ontem, na TV, o badalado filme nacional “O AGENTE SECRETO” com o decantado ator brasileiro Wagner Moura. Eu já escrevi uma crônica aqui não sobre o filme mas, principalmente, sobre as declarações despropositadas daquele nosso ator – hoje o lídimo representante da classe artística de esquerda – após ganhar o prêmio de melhor ator do Globo de Ouro.

Eu não sou nenhum crítico nem muito menos especialista em cinema. Sou apenas uma pessoa que gosta de assistir filmes. Ao fim e ao cabo só sei dizer se o filme me agradou ou não. Para isso eu gosto de ver, com um olhar crítico, o enredo, ou seja, a história contada no filme, o desempenho dos principais atores e, se for um filme temporal, se o mesmo retrata bem a época em que a história se passa. Conheço de nome os melhores atores e alguns poucos diretores. Meu conhecimento de cinema não passa muito disso.

Vi os mais diversos comentários sobre o filme, uns aplaudindo de pé tanto o Wagner Moura, como o diretor, Kleber Mendonça. Alguns o consideraram até uma obra-prima, afirmando que as chances de ganhar o Oscar são muitíssimo altas. Outros já foram mais comedidos em seus comentários. Ocorre que muitas dessas opiniões dependem bastante da ideologia do comentarista. Se ele for um cara de esquerda, tecerá mil elogios ao filme; se for de direita, nem tanto.

Eu, como meus leitores bem sabem, não sou de esquerda – o que, na dicotomia política vigente hoje neste País, me torna automaticamente um cara de direita. Eu, particularmente, sempre me considerei um liberal, seja em matéria política, seja em matéria econômica. Era assim que eu procurava me definir para os meus alunos quando eu era professor universitário. Mas, acho que, hoje, liberal é um animal em extinção. E não existindo mais o liberal, sou jogado na direita, quando não na extrema-direita fascista, dependendo de quem me rotula. Se for o Lula, ou a Gleisi Hoffmann ou o seu namorado, o Lindberg Farias, certamente serei taxado de direitista extremista fascista e outros istas. Mas, isso pouco importa.

Voltemos ao filme. O filme narra a história de um ex-professor-pesquisador (Wagner Moura) de uma universidade federal que voltou para Recife após deixar o emprego por desavenças políticas com um empresário da Eletrobrás (e aparentemente ligado ao regime militar) que, não se sabe por que cargas d’água, foi encarregado de praticamente desativar o seu departamento de pesquisas universitárias. Os dois se desentenderam e quase chegaram às vias de fato, o que levou o professor a largar a universidade e voltar para Recife onde conseguiu um emprego burocrático num Arquivo da Polícia Civil. O tal empresário da Eletrobrás, por conta própria ou por orientação do governo (isso também não está claro no filme), e assim sem mais nem menos, decidiu contratar dois desastrados assassinos profissionais cariocas para eliminar o professor lá em Recife. A partir daí, o filme se desenrola em torno dos dois bandidos procurando pelo professor. Para complicar, os dois subalocam a empreitada para um bandido local que só fez merda, inclusive matando uns dos dois assassinos contratados no Rio de Janeiro. Mas, ao fim e ao cabo, o professor acaba sendo assassinado e o filme acaba aí.

Embora ambientado em 1977, em pleno governo militar, e bem diferente do outro premiado nacional “AINDA ESTOU AQUI’, não há no filme nenhuma referência direta ao governo militar. Não houve perseguição, prisão, tortura do professor supostamente de esquerda – o que, aliás, ele nega no filme. Nem o seu assassinato ao final pode ser atribuído ao governo militar.

Com ajuda de verbas do governo Lula, tem havido uma campanha sistemática junto aos “jurados” que escolhem o OSCAR para que O AGENTE SECRETO ganhe alguma estatueta, especialmente o de melhor ator e o de melhor filme estrangeiro. Pode ser que ganhe. Depois que o regular, pra não dizer ruim, filme ANORA ganhou o Oscar em 2025, tudo é possível.

Eu, particularmente, não gostei muito do filme O AGENTE SECRETO. Não que ele seja ruim. O enredo é fraco, conta uma história que não convence e sem relevância. Embora tenha sido financiado por alguns organismos europeus, além de ter recebido 8,0 milhões de reais do governo federal, o filme foi uma produção barata, com cenários simples e naturais que não exigiram nenhuma caracterização especial de época. Não sei onde puseram tanto dinheiro.

O estranho de tudo isso é a conotação política que Wagner Moura tem dado ao filme sempre que é entrevistado, seja aqui, seja na Califórnia onde mora, seja num bar da esquina, seja nos palcos e eventos que ele tem frequentado em função da promoção do seu filme. Ele está sempre dizendo que a produção deste filme não teria sido possível no governo ditatorial e obscurantista de Bolsonaro. Mas que, agora, no governo democrático do Lula – “que tem apreço à cultura e às artes” – foi possível realizar esta “grandiosa” produção.

Estranho estas falas do Wagner Moura – que, parece, quer mesmo se firmar como líder da classe artística ativista de esquerda. Possivelmente ele tenha razão numa coisa: o governo Bolsonaro restringiu bastante a verba da Lei Rouanet que sempre correu solta para artistas consagrados como Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso e assemelhados. Mas, dizer que o governo Bolsonaro foi ditatorial cheira ao ridículo. Não havia censura a artistas, imprensa ou a o que seja, no governo dele. Nem tivemos na época preso político nem tornozeleiras eletrônicas.

Bacana mesmo foi ouvir o áudio do telefonema de Lula para Wagner Moura onde Lula declara que a cultura ocupa um espaço especial em seu governo e que ele “vai continuar investindo na construção de mais e mais cultura” e o Wagner Moura responde que somente ele, Lula, poderia ter esta visão sobre a importância da cultura e que “é muito importante a gente ter um presidente assim!”

É tudo muito irônico e teatral. Como disse Augusto Nunes, “Lula nunca rimou com cultura. Não sabe escrever, nunca leu um livro, nunca foi assistir uma peça de teatro e só vê filme brasileiro no cineminha do Alvorada por não conseguir decifrar legendas.”

Que venha o Oscar. Mas, acho difícil. Já bastam os “Anoras” da vida!

Chantecler

BD, 24.02.26

Mozart Foschete

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