Poleiro do Chantecler – Da série: A vida como ela é
Meus caros, raros e fieis leitores,
Sou um saudosista incurável. Adoro recordar meus tempos de criança e de adolescente nas ruas de Bom Despacho. Como já disse várias vezes, meu lugar preferido era a Rua do Céu onde me criei e cresci. Gosto de recordar de nossas brincadeiras, das peladas de futebol jogadas ali na antiga Praça São José, dos circos e parques que, de vez em quando, também eram armados na mesma pracinha, e de nadar no Tira-prosão e no Tira-prosinha que ficavam ali no “campinho dos padres” onde hoje é a Avenida Amazonas. Gostava de frequentar minha escola primária – o Coronel Praxedes –, das matinês de domingo no Cine Regina. Depois, já rapaz, gostava do famoso “footing” defronte o mesmo Cine Regina, onde as moças desfilavam em duplas, triplas e quádruplas ao longo de duas colunas formadas pelos rapazes. Era ali que se iniciavam todos os namoros. Que saudade!
Não sei quem de vocês chegou a ler meu livro UM LUGAR CHAMADO RUA DO CÉU. É um livro de crônicas que escrevi durante a pandemia da Covid-19. Crônicas que falam da minha infância, da minha vida de rapaz, das minhas namoradas, muitas platônicas, de meus vizinhos e de pessoas que me marcaram a infância e a adolescência, que falam de meus pais e de meus irmãos. Crônicas que falam de meus professores, especialmente da D. Eulina, minha professora do 3º e do 4º anos do Praxedes e que, com apenas uma frase – “Você é o aluno mais inteligente do Coronel Praxedes!” – mudou toda a minha futura vida profissional, e também da D. Maria do Doca – minha professora de Admissão e que, tal como a D. Eulina, me deu uma autoconfiança para vencer na vida quando fui lhe contar que tinha tirado o 1º lugar num concurso para trabalhar no BEMGE e ela me disse: “-Isso não me surpreende. Você passará em todos os concursos públicos que tentar!” Sua profecia se cumpriu. Foi assim que rompi o círculo vicioso da pobreza.
Mas, estou falando tudo isso simplesmente para transcrever aqui a última página daquele livro. É um pequeno texto que deveria ser lido ao som da música “Baile da Vida”, dançada por Fred Astaire e Rita Hayworth e que deu o título ao texto. Leiam imaginando a dança deles!
O BAILE DA VIDA
Os anos passam, as lembranças ficam. Só elas são eternas. A saudade é permanente e nossas mentes estão sempre em busca de cenas de tempos vividos. Aprendemos a vasculhar nas nossas recordações do coração e a acariciar lindos momentos que se foram pra não mais voltar. Os anos passam… Crescemos na alma mas continuaremos sempre frágeis no amor. Alguns anos ainda virão e tudo o que sabemos é que nossa vida é curta, mas não sabemos quando iremos embora.
O aprendizado continua a desfilar na passarela dos anos. Nós, como protagonistas da vida, enfrentamos momentos que nos fazem infelizes e nos deliciamos com os que nos fazem felizes.
A grande verdade, a verdade verdadeira, é que a vida é um grande baile em que almas se encontram, se identificam, se unem e se separam. Cada qual bailando ao seu ritmo nos conflitos, nas esperanças e nos momentos de amor e felicidade. Ao longo da vida, enfrentamos muitas adversidades e derramamos muitas lágrimas. Ainda assim, a vida é bela e vale a pena ser vivida e curtida.
Viva a vida com intensidade porque ela é curta e se vai num instante. Valorize e ame você acima de tudo, pois ninguém mais que você o conhece.
E não se esqueça: poucos, muito poucos se lembrarão do que você fez de bom e de bem. Mas, todos se lembrarão de seus erros…
