Poleiro do Chantecler – O ferrinho do dentista
Meus caros, raros e fieis leitores,
Já escrevi duas crônicas sobre o ator Wagner Moura, de O AGENTE SECRETO: uma sobre a entrevista que ele deu à TV americana logo depois de ganhar o prêmio de melhor ator no premiado Globo de Ouro, quando ele, assim gratuitamente e despropositamente, desancou o governo Bolsonaro como um dos mais ditatoriais governos da história do Brasil. No fundo, no fundo, ele estava falando para sua tribo favorita – a dos artistas esquerdistas que vivem e sobrevivem – alguns nababescamente – às custas das benesses da Lei Rouanet. A outra foi uma análise que fiz do filme propriamente dito, onde afirmei que o filme é fraco, pobre de enredo e com uma história simples, sem qualquer importância ou relevância. Um filme que, além de receber ajuda financeira de uns países europeus, ainda recebeu cerca de 7,5 milhões de reais via Lei Rouanet. Pela pobreza ambiental do filme, certamente deve ter sobrado dinheiro dessas doações.
A festa da entrega do Oscar deste ano será no próximo domingo, dia 15 de março. E os principais concorrentes estão em plena atividade, participando de eventos sociais, dando entrevistas em TVs, tudo com o objetivo de promoverem seus filmes e se autopromoverem. A equipe de O AGENTE SECRETO é um deles. Para comprarem espaços nas TVs e promoverem encontros para “venderem” o filme eles receberam R$800 mil do governo brasileiro (além daqueles 8 milhões para ajudar nas filmagens), via ANCINE.
Foi nesse ambiente de promoções que assisti, na semana passada, um vídeo com uma entrevista dada pelo Wagner Moura a uma TV americana. Nele nosso aclamado ator aparece descontraído, irônico, falando um bom inglês (ele mora há alguns anos nos Estados Unidos, mais especificamente em Los Angeles). Num dado momento, o entrevistador perguntou a Wagner Moura se ele já tinha preparado seu discurso caso ele ganhe algum prêmio no Oscar. Em sua resposta, Wagner Moura parabenizou o entrevistador por um agradecimento que ele teria feito a Donald Trump quando ele foi escolhido um dos críticos do ano. E ele acrescentou, rindo sarcasticamente:
“-Eu vou aproveitar sua ideia e agradecer também o Bolsonaro’ – e explicou para a plateia: “-Bolsonaro é o nosso Donald Trump, com uma diferença: ele está na cadeia!” E todos riram. E ele continuou, sempre rindo ironicamente: “-Se não fosse o Bolsonaro, o nosso filme não teria sido feito. O filme foi feito em reação posterior às negativas do Bolsonaro! O filme é o resultado da nossa perplexidade – minha e do diretor do filme – diante do governo negacionista de Bolsonaro”. Aí o entrevistador então entrou na do Wagner Moura, dizendo para a plateia: “-Bolsonaro, para quem não sabe, é um político contra as mulheres, contra os homossexuais, contra a liberdade, contra a democracia. Você concorda comigo?” “-Claro!” – respondeu um sorridente Wagner Moura. “- É por isso que ele está na cadeia!”
A seguir, Wagner Moura afirmou que Trump impôs uma tarifa de importação de 75% sobre os produtos brasileiros, para forçar o Brasil a soltar Bolsonaro, mas o Brasil não cedeu.
Não tenho nenhuma procuração para defender Bolsonaro (por quem, aliás, como já outras vezes, não morro de amores), mas confesso que fiquei deveras impressionado com as besteiras ditas por Wagner Moura com aquela convicção própria dos ativistas de esquerda quando encontra uma plateia que pensa como ele. Nosso decantado ator vive tentando em todas as suas entrevistas (já vi várias) dá uma conotação política ao filme O AGENTE SECRETO que ele não tem. Ele sempre está tentando mostrar que o filme é uma crítica aos governos militares ditatoriais que governaram o Brasil de 1964 a 1984. Ocorre que, como já mostrei na minha crônica anterior – O AGENTE SECRETO –, o filme não mostra uma cena sequer que associe a história nele narrada com o governo militar – como, por exemplo, acontece no filme AINDA ESTOU AQUI.
Além do mais, dizer que o Trump impôs uma tarifa de 75% sobre os produtos brasileiros para forçar o governo brasileiro a soltar o Bolsonaro é de uma idiotice sem tamanho. Esta é uma narrativa que o governo Lula andou divulgando e que gente da esquerda, como o Wagner Moura, andam repetindo por aí. Mas é uma versão totalmente falsa. Basta observar que a mesma tarifa foi colocada sobre o Canadá, o México, os países europeus, o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália. Sobre a China, a tarifa chegou a 180%. Será que todos esses países tinham também um Bolsonaro preso?
A verdade é que artistas brasileiros odeiam o ex-governo Bolsonaro porque a verba da Lei Rouanet para eles foi encurtada naquele período e agora, no governo Lula, as torneiras voltaram a ser abertas. Em crônica anterior eu mostrei, por exemplo, que Chico Buarque recebeu, agora em dezembro passado, 2,5 milhões da Lei Rouanet para financiar um espetáculo teatral, em Portugal (Lisboa e Porto), dedicado à sua carreira artística. 2,5 milhões de reais! É dinheiro demais, não? Em 2018, em pleno governo Bolsonaro, o Ministério da Cultura aprovou uma verba de 417,0 mil reais para a edição de um livro de fotos do nosso grande compositor, Chico Buarque. Foram editados 2.000 exemplares. Deve ter sido um livro com fotos lindas. Não é à toa que nosso compositor maior – também um notório esquerdista – vive nababescamente em Paris tomando o melhor dos vinhos e sempre apoiando o governo Lula e muito preocupado com os pobres do Brasil.
Os exemplos são inúmeros. Apenas a título de ilustração, na semana passada mesmo, o governo aprovou a liberação de uma verba de R$1,6 milhão via Lei Rouanet para um espetáculo em homenagem ao grande cantor-compositor Caetano Veloso. É muito dinheiro, sem dúvida.
Recebendo tantas benesses do governo Lula, é lógico que esses artistas têm que endeusar a figura do metalúrgico e detestar os Bolsonaros da vida. É muito bom para alguém quando ganha dinheiro com seu ideal. É o caso do nosso Wagner Moura que vive também nababescamente em Los Angeles.
Por fim, vale registrar que deve ser bom demais ser um estrangeiro e morar num país onde você pode falar mal e criticar livremente o presidente local sem qualquer problema. Difícil seria para o Wagner Moura, morando no Irã, falar mal do Kameney, ou morando na China e criticar abertamente o Xin Jinping – países que ele, como bom esquerdista, adora.
