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ALIMENTAÇÃO ALÉM DO PRATO

O que você sente, vive e habita também entra na sua digestão!
Não escolhemos alimentos apenas pelo sabor ou pela fome. Escolhemos a partir do que sentimos. Emoções influenciam diretamente o que colocamos no prato, o quanto comemos e como digerimos.
Ansiedade pede açúcar. Cansaço pede excesso. Tristeza busca conforto. E muitas vezes, o corpo só obedece a uma mente que está tentando sobreviver ao próprio caos interno.

O ambiente onde vivemos também nos alimenta ou nos adoece. Casas barulhentas, relações tensas, falta de acolhimento, críticas constantes ou silêncio emocional criam um estado de alerta permanente. Nesse estado, o sistema digestivo não funciona plenamente. O corpo não relaxa. A absorção dos nutrientes cai. E mesmo comendo “certo”, a pessoa continua se sentindo pesada, inchada ou sem energia.

Quando há desconexão consigo, a vida entra no modo automático. Come-se sem presença, sem perceber sinais de fome ou saciedade. Vive-se no piloto automático. E um dia, ao olhar no espelho, surge o susto: “Como cheguei até aqui?”

O corpo, nesse momento, não é o problema. Ele apenas mostra, com honestidade, o reflexo de uma vida vivida longe de si.

Relações, rotina, pressa, excesso de estímulos, ausência de silêncio. Tudo isso molda a forma como nos nutrimos. Não existe transformação alimentar real sem considerar o emocional e o ambiente. O prato é só a ponta visível de um sistema inteiro pedindo reorganização.

Alimentar-se bem é mais do que escolher bons ingredientes. É aprender a habitar o próprio corpo, escutar emoções, criar espaços de paz e reconstruir a relação consigo. Quando a presença volta, o corpo responde, e a alimentação deixa de ser luta para se tornar cuidado.

Ingrid Lacerda

Nutricionista • Psicanalista Sistêmica • Professora de Yoga & Calistenia • Mestra em Reiki

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