Filhos e filhas,
No próximo domingo, dia 26, a Igreja celebra o dia dos avós de Jesus, São Joaquim e Sant’Ana. Em um mundo que valoriza cada vez mais a velocidade e a produtividade, somos convidados a redescobrir um tesouro muitas vezes silencioso: a presença dos idosos e dos avós. Eles são memória viva da família, testemunhas da fidelidade de Deus e pontes que unem o passado, o presente e o futuro.
A Sagrada Escritura nos ensina a honrar aqueles que vieram antes de nós. Os cabelos brancos não representam apenas o passar dos anos, mas a sabedoria adquirida na caminhada, as lágrimas transformadas em experiência e a esperança que permaneceu firme mesmo diante das maiores dificuldades.
Neste ano, a mensagem do Papa Leão XIV para o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos traz um tema profundamente consolador: “Eu nunca te esquecerei” (Is 49,15). O Santo Padre recorda que Deus grava cada um de seus filhos na palma de suas mãos e jamais abandona aqueles que, por vezes, experimentam a solidão ou o sentimento de terem sido esquecidos.
Essa Palavra é um verdadeiro bálsamo para tantos idosos que vivem afastados da família ou sofrem com o abandono. Mais do que uma promessa, ela revela a identidade do próprio Deus: um Pai que permanece fiel em todas as etapas da vida.
Ao mesmo tempo, o Papa dirige um forte apelo aos mais jovens. Ele convida a Igreja inteira a “retomar o bom hábito de visitar os avós, os idosos da família e também aqueles que não recebem nenhuma visita”, transformando a proximidade em um gesto concreto de amor cristão.
Quantas vezes nossos avós foram os primeiros catequistas! Foram eles que nos ensinaram o sinal da cruz, nos conduziram à igreja, rezaram o terço conosco e nos mostraram, pelo exemplo, que confiar em Deus vale mais do que qualquer riqueza. Muitas famílias permanecem firmes porque houve um avô ou uma avó que nunca deixou de interceder diante do Senhor.
A velhice não é um tempo de inutilidade. Pelo contrário, continua sendo uma vocação. A Igreja precisa da oração dos idosos, de sua serenidade, de sua capacidade de reconciliar gerações e de transmitir valores que nenhuma tecnologia é capaz de substituir. Quem envelhece com Deus torna-se um farol para aqueles que ainda caminham.
Também nós somos chamados a cultivar a gratidão. Não basta lembrar dos avós apenas em datas comemorativas. O amor verdadeiro se manifesta na visita, na escuta paciente, no abraço demorado, na ligação inesperada e no tempo dedicado àqueles que tantas vezes dedicaram a vida inteira aos filhos e netos.
Neste Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, peçamos ao Senhor que fortaleça todos aqueles que carregam a beleza dos anos vividos. Que nunca lhes faltem saúde, dignidade, carinho e esperança. E que nossas famílias redescubram a alegria de caminhar juntas, valorizando aqueles que guardam a memória da fé.
Que São Joaquim e Sant’Ana, avós de Jesus, intercedam por todos os avós e idosos do mundo. E que possamos viver diariamente a certeza da promessa do Senhor: “Eu nunca te esquecerei.” (Is 49,15).
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti
