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A VIDA NOS TEMPOS DO CORONAVIRUS

Coluna do Chantecler – Crônicas do Cotidiano

(Crônica escrita em abril de 2020, no começo da pandemia)

Meus caros e ratos leitores,

Olhem eu aqui de volta ao tema do coronavirus. Parece até que eu estou ficando neurótico com este assunto. Ficando? Ou já estou? Quem ainda não está? A TV – que já nem ligo, a não ser pra ver um filme – me massacra 24 horas por dia falando desse “bichinho (é assim que eu chamo ele). Só ouço que, hoje, na Itália, morreram 675 pessoas; na Espanha, foram 392. Nova York vem batendo os recordes de contaminados e de mortos. E pensar que eu tenho uma passagem pra lá pro dia 15 de julho. Acho que convém eu desistir.

Nunca vi tantos infectologistas, epidemiologistas e pneumologistas aparecerem na TV dando entrevista. Todos muito posudos, com cara de doutores sabem tudo, falando mais ou menos a mesma coisa: fiquem em casa, lavem as mãos sempre que puderem, se possível com álcool-gel – que, por sinal, não é encontrado à venda em lugar nenhum. Vivem repetindo que os idosos são grupo de maior risco. Do jeito que eles dizem, parece que nós, mais velhos, temos mais chance de pegar o coroninha. Eu acho que as chances são iguais para qualquer idade. O que talvez eles devessem dizer é que, caso peguem o bichinho, os velhos têm um risco de morte mais elevado.

Eu continuo de quarentena aqui no meu flat. Quarentena é um modo de dizer. Na verdade, estou é confinado mesmo. Nunca fui de cozinhar. Mas, a necessidade faz o sapo pular. Eu faço meu café da manhã, meu almoço e meu jantar. Tudo muito simples. O bastante pra sobreviver. No almoço, geralmente faço um espaguete; no jantar, um talharim. No dia seguinte, inverto: talharim no almoço e espaguete no jantar. Mais à noite, costumo fazer uma vitamina. E aqui também costumo variar: numa noite eu faço vitamina de abacate com mamão; na outra, faço mamão com abacate. Esta inversão depende de qual fruta eu ponho primeiro no liquidificador. O que é uma bobagem: o sabor das duas vitaminas é sempre o mesmo.

Até quando isso vai durar, não sei. Já sobrevivi a duas semanas. Agora, pelos meus cálculos, só faltam mais onze semanas. Estou procurando me cuidar física e mentalmente. Mas vejo na TV que as barcas Rio-Niterói, os metrôs das grandes cidades e alguns coletivos estão apinhados de gente. Assim não dá. Os jornalistas e comentaristas da Globo se preocupam muito mais com as frases “idiotas” do Bolsonaro do que em informar e orientar as pessoas. Pra Globo, tudo o que o Bolsonaro diz a respeito da pandemia é idiotice. Quem sabe tudo sobre o tal de Covid são esses epidemiologistas que surgiram às centenas. Onde esse pessoal estava antes do corona vírus aparecer? O que eles faziam?

Bom, pelo que a Globo diz, estamos mesmo caminhando para uma pandemia. Vai virar um pandemônio. E segundo seus repórteres dizem – o Dr. Bonner e a Renata Vasconcelos à frente – a culpa de tudo é do Bolsonaro. Mas, eu fico pensando aqui comigo: culpa do Bolsonaro? Será que lá na Itália e na Espanha – onde está morrendo mais gente do que aqui, também tem um culpado? Será em que todos esses países há um Bolsonaro, como aqui?

A palavra de ordem é: NÃO SAIAM DE CASA! E SE SAÍREM, USEM MÁCARA! Fico pensando nas moças que trabalham nos caixas dos supermercados e nos motoristas de lotação. Devem usar máscaras até nos olhos e nas orelhas. Coitados!

Agora, cá pra nós, ficar em casa, num apartamento olhando pra mulher da gente o dia inteiro e conversando o mesmo assunto – quer dizer, sobre o corona vírus – é dose. Quando tudo isso acabar, se é que vai acabar, os brasileiros estarão mais gordos, mais divorciados, mais pobres e mais loucos. C’est l avie!

Mas me deem um minutinho que vou ter de ir ali no mercadinho comprar abacate, mamão, leite, talharim e espaguete. Meu estoque acabou. Vou de máscara, de óculos escuro e de fone de ouvido – que é por onde, segundo dizem, o bichinho pode entrar.

E que tenhamos um mundo melhor amanhã.

Tchau procês.

Chantecler.

Mozart Foschete

Poleiro do Chantecler – O ferrinho do dentista.

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