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Cesárea vira regra no Brasil, ignorando riscos e recomendações da OMS

Os partos cesáreos já representam seis em cada dez nascimentos no Brasil. Percentual é muito superior ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde, que indica taxas entre 10 e 15%. Os dados são de um estudo da Universidade Federal de Pelotas em parceria com a Umane, com base em informações do SUS.

Quando estava grávida da segunda filha, a Luciana buscou acompanhamento em uma maternidade renomada da capital paulista. Desde o início, deixou claro que queria dar à luz em um parto normal. Mas quando já estava no hospital em trabalho de parto, passou a ser pressionada para fazer uma cesariana. Como havia estudado o assunto, ela insistiu em manter o plano original.

“E aí a minha filha nasceu uns 40 minutos depois de parto normal. Então é assim, eu lutei muito por esse parto, mas eu também sofri violência obstétrica nele”, relata Luciana Leal, que é enfermeira obstétrica.

A experiência foi tão marcante que a Luciana, que antes trabalhava só na gestão do sistema de saúde, decidiu trabalhar com partos.

“A cesárea de fato salva vidas, mas é só quando é bem indicada. Porque uma cesárea ela pode desencadear processos alergênicos no bebê, processos de problemas respiratórios no bebê, né? E isso não é falado. São coisas assim, “ah, a cirurgia resolve, a mulher tem um parto sem dor”. O que também não é verdade, porque a cirurgia ela causa dor. Depois a mulher ela tem que cuidar de um recém-nascido com a barriga com uma cirurgia”, destaca ela.

Em 2001, seis em cada dez partos no Brasil eram normais ou naturais e apenas quatro em cada dez cesarianas. Em 2024, essa proporção se inverteu. As cesarianas foram 60% dos partos de nascidos vivos no Brasil. Mas a Organização Mundial de Saúde recomenda que as cirurgias só sejam usadas em até 15% dos nascimentos.

“A recuperação pra mulher é melhor. Para o desenvolvimento ali do bebê e contato, né, da amamentação, por exemplo, nas horas logo após o parto é favorecida pelo não uso das anestesias. E a gente tem uma maior proporção das mulheres com uma expectativa de uma gestação de baixo risco, que podem, então, com segurança, fazer um parto vaginal. E você deveria deixar restrita a cesariana pros casos de médio e alto risco, dependendo do contexto, a cesariana. Então, adequar o perfil de gestação e o pré-natal à via de parto seria o mais coerente em termos de saúde pública e também como sociedade em termos de eficiência pro próprio sistema de saúde com relação aos custos, né, e riscos. É uma cirurgia, não tá livre de riscos”, afirma Evelyn Santos, gerente da Umane.

Ag. Ebc Brasil

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